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Archive for the ‘Projetos’ Category

Em foto registrada por estudante, da comunidade do Planeta do Macacos pode-se vislumbrar mudanças no horizonte do bairro.

Em foto registrada por estudante, da comunidade do Planeta do Macacos pode-se vislumbrar mudanças no horizonte do bairro.

Contar a história de Jardim São Paulo tem sido um desafio, pois todos estamos lidando com um trabalho praticamente desbravador. Há registros esparsos, não sistematizados e carentes de fontes já identificadas, então o que se levanta sobre o bairro toma forma de novidade para todos, mas percebemos que os moradores possuem histórias para contar, muitas vezes experiências e narrativas guardadas por eles e não sondadas por ninguém antes desse trabalho ter início.

Então o caráter desse projeto tem também o sentido de um serviço comunitário, pois poderá ser uma contribuição importante para o registro da memória local, para uma reconstituição ou registro de fatos e situações que não foram compartilhadas de forma mais ampla e que são fontes de informações que ajudarão não apenas à tentativa de se contar a história de um bairro, mas até a evidenciar o papel das pessoas como agentes dessa história pois eles a experimentaram e poderão dividir tais vivências e impressões com as gerações mais jovens de agentes que continuarão a construir a história de Jardim São Paulo – e tem sido particularmente fascinante perceber como os estudantes envolvidos já se sentem e se expressam como agentes históricos diante da aproximação com o passado do bairro numa perspectiva de que eles estão ajudando a contar e registrar a história da comunidade da qual fazem parte.

Trabalho na EREM Professor Trajano de Mendonça desde 2005, ano em que ingressei no serviço público e, embora já transitasse pelo bairro desde muito antes disso, não conhecia a história da localidade mesmo que também tenha me tornado parta da comunidade do bairro, pois também me mudei e me estabeleci aqui três anos atrás. Este desconhecimento é sintomático, pois as histórias em torno de Jardim São Paulo são mesmo obscurecidas pela insuficiente atividade de registro e busca por fontes. Lidamos então com os problemas derivados disso, mas seguimos adiante.

Até confesso que proposta do PIBID (Programa Institucional de Iniciação à Docência)/UFPE de contar a história local foi inicialmente encarada por mim mesmo com certa desconfiança ao longo da implementação do projeto, pois me pareceu que se tratava mais de uma ação de pesquisa do que exatamente de docência – ainda que não haja docência sem pesquisa – mas a impressão foi mudando justamente quando a adesão dos estudantes da escola e a percepção que passaram a ter sobre o conhecimento e produção da atividade de pesquisa histórica chegaram em pouco tempo a sinalizar parâmetros que e patamares de eu não percebia se consolidando em minhas aulas mesmo que eu pratique abordagens que fogem da convencionalidade, apesar do conteudismo exigido. Mas atuar na prática tem ensinado que a o saber histórico demanda o empreendimento de certos esforços, técnicas e conhecimentos que são operados justamente porque se sabe que o levantamento dos dados e fatos a serem contados requer um conjunto de procedimentos e um trabalho rigoroso que deve levar muitos fatores em consideração. A atuação dos acadêmicos do PIBID tem incrementado esse processo todo, pois os pibidianos apresentaram a esses adolescentes curiosos um plano de trabalho que era diferente e inusitado para eles, que agora estão vendo que produzir a história que leem e que passam a conhecer exige uma série de requisitos metodológicos e procedimentais.

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Os cinco estudantes de História da universidade e bolsistas do PIBID conjuntamente se prepararam para abordar didaticamente as perspectivas planejadas do projeto como um todo após reunirem um número considerável de interessados em participar. Foram realizadas reuniões como os estudantes e nelas os pibidianos abordaram sobre pesquisa histórica, aspectos sobre o que é o porque é relevante a produção do registro da história local e sobre a história oral e sua aplicabilidade. O retorno tem sido interessante até porque estas expressões passaram a ter significado para os estudantes, que sabem que produzir conhecimento em história é muito mais do que apenas reproduzir uma narrativa ou conjunto de fatos. Os bolsistas estão experimentando a docência na medida quem que se postam como orientadores dos estudantes, convivendo com eles em instantes diferenciados de construção de saberes – ainda que também nos preocupemos mutuamente com a experiência mais cotidiana de sala de aula, planejamento e avaliação, tendo todos nós trabalhado em propostas conjuntas.

A realização de primeira trilha programada, conforme indicação de locais apresentada pelos próprios estudantes foi uma experiência interessante – e me refiro a ela a partir de impressões que pude coletar mesmo tendo sido impossibilitada minha participação pela necessidade de tomar parte e estar presente em uma reunião pedagógica que definiria providências relevantes para a escola. Acompanhando as imagens registradas e os relatos feitos pelos próprios estudantes após a atividade me parece que o êxito foi espetacular – e o relato dos pibidianos precisa ser também apontado para completar este quadro de impressões, inclusive relatando dinâmicas e intervenções que prepararam – pois o que registraram deu-me a impressão de que eles saborearam e experiência nova para eles, mesmo transitando em espaços nos quais rotineiramente passam, pois tiveram um caminhar novo num caminho conhecido, percebendo detalhes que a rotina não ajudou a mostrar, pois os cenários “manjados” apareceram na ocasião com surpresas.

Outros relatos são agradáveis mesmo de conhecer, pois lidam com o entusiasmo dos alunos. Eles assimilaram de tal forma o fato de que as pessoas e suas experiências são preciosas fontes históricas e de histórias que a corajosa disposição sem formalidades geraram uma interessante “caça aos idosos” durante a própria trilha, sobretudo nas praças do bairro, quando os estudantes abordavam com ânimo e curiosidade as pessoas que encontravam, sondavam sobre quanto tempo viviam em Jardim São Paulo e despertaram até reações surpreendentes dos anciãos que interpelavam com interesse e curiosidade, pois até houve interpelado que narrou sua emoção pelo fato de sua experiência motivar interesse por parte de adolescentes que o abordaram. Essa situação também indicia o olhar diferente sobre a rotina, pois os próprios estudantes também frequentavam o mesmo espaço sem antes devotarem suas atenções aos idosos que dividiam invisivelmente as praças com eles.

Vale a pena brincar com a disposição dos participantes (montagem feita pela

Vale a pena brincar com a disposição dos participantes (montagem feita pela “pibidiana” Mariana Nascimento)

Além de história como saber, de técnicas, de registros, de fontes e metodologias de pesquisa, verificamos que os estudantes querem contar a história da qual fazem parte, querem que a trajetória de sua comunidade seja reconhecida.

Aqueles que moram no hemisfério mais carente do bairro são ainda mais motivamos para que a trilha chegue até lá também, que reconheça e percorra a comunidade do Planeta dos Macacos e vá além das praças, da estação ferroviária que cedeu lugar ao metrô (e a segunda trilha acompanhará os trilhos e as histórias da ferrovia e do parque de trens que também impulsionou a localidade desde o início do século XX). Sim, a demanda dos estudantes será atendida e chegaremos na história de resistência, conquistas, tumultos, problemas e também de afetividades vividas na comunidade que recebeu um nome empregado de preconceitos. Os trilhos da história de Jardim São Paulo e de seus moradores chegarão ao Planeta dos Macacos.

Que comecem também as entrevistas já programadas com os prospectos que foram listados, pois delas novas experiências serão decorrentes.

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Enfim, enceramos a quinta edição de Uma Semana em Roa & Lilás. Repetimos a habitual fórmula de promover na Escola um produtivo debate em torno das mais relevantes questões sobre os gêneros, tendo pessoas e instituições atuantes na sociedade civil como parceiras. A comunidade escolar participou e mais uma vez saiu-se fortalecida e mais amadurecida a nossa capacidade de compreensão e atuação diante dos desafios pela igualdade entre os sexos. Além das frutíferas e enriquecedoras palestras, esse ano foi aprimorada aquela que é, para nós, a grande atração da Semana: A atividade de produção de conhecimento promovida pelos próprios estudantes, que se desdobraram em variadas apresentações coordenadas, atendendo a uma interessante gama de temas em torno das relações de gêneros em diversos campos dos saberes. Em 2016 teremos uma Semana em Rosa & Lilás ainda melhor!

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A programação da edição deste ano repete a habitual proposta de integrar e aproximar a escola e sua comunidade da sociedade civil organizada, de instituições oficiais e do mundo acadêmico. Ao longo desta semana especial teremos atrações e contribuições valiosas para a formação de consciências e de atitudes diante das questões que são promovidas pela proposta do evento.

PROGRAMAÇÃO GERAL

  • Segunda-feira, 9 de março

MANHÃ:

– Palestra de Neide Silveira e Irani Elias, representantes do Fórum de Mulheres de Jaboatão / Coletivo de Mulheres e do SINPROJA (temática: “A trajetória da mulher trabalhadora e as conquistas trabalhistas”)

– Palestra da Profa. Dra. Noemia Maria Queiroz Pereira da Luz (PCR), que abordará os papeis das mulhres na História

TARDE:

– Palestra da Profa. Dra. Maria Helena Lira (UFRPE) com a temática “A educação do corpo e as relações de gênero na Escola”

  • Terça-feira, 10 de março

MANHÃ: “Políticas Públicas de Acolhimento para Mulheres Vítimas de Violência”, apresentação realizada por representantes da Secretaria Estadual da Mulher

  • Quarta-feira, 11 de março

MANHÃ:

– Palestra do deputado estadual Edilson Silva (Presidente da Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Pernambuco) e equipe

– Palestra e exposição de Cleo Santana, fotógrafo do projeto “Desnudas (A beleza de ser o que é)”

– Palestra de Uana Mahin (Dança /UFPE) e Carine Vieira (Letras/UFRPE)

  • Quinta-feira, 12 de março

APRESENTAÇÕES DOS GRUPOS DE PESQUISAS TEMÁTICAS:

Equipe do PIBID / Ed. Física (UFRPE), Equipe do PIBID / História (UFRPE), Escritoras Marcantes, Mulheres no mercado, Mulheres e deficiência física, Mulheres no cinema, Mulheres no Cangaço,  Negras e famosas, Mulheres nos esportes, Mulheres cientistas, Violência doméstica, Feminismo ontem e Políticas públicas para mulheres

  • Sexta-feira, 12 de março

APRESENTAÇÕES DOS GRUPOS DE PESQUISAS TEMÁTICAS:

Além da lente, E se elas fossem reais?, Equipe do PIBID / Biologia (UFRPE), Mulheres e religião, Mulheres no crime, A ditadura da moda, Mulheres na guerra,  Equipe do PIBID / História (UFRPE), Tráfico de mulheres pernambucanas, Apresentação de trabalho do Grupo Viva +, Feminismo hoje, Hipátia de Alexandria e a Matemática

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O Jornal do Commercio destacou a realização de Uma Semana em Rosa & Lilás em matéria impressa e também por meio de um vídeo de divulgação. A matéria está neste link. O texto abaixo é um destaque da matéria escrita por Mariana Mesquita, do JC.

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JC de 8 de março de 2015

Escola estadual é modelo na obtenção de bons resultados

A Semana Rosa e Lilás é um evento que já se tornou tradição na escola estadual Trajano de Mendonça. Há cinco anos, a professora de português Rosário Leite teve a ideia do evento, que inicialmente foi uma atividade pontual e depois foi envolvendo os demais professores e alunos, atingindo seu ápice a partir de 2011, quando a experiência venceu duas categorias do prêmio Naíde Teodósio (promovido pela Secretaria Estadual da Mulher, em parceria com a Secretaria de Educação).

“Por cinco dias, não há aulas formais. Todos os professores relacionam os conteúdos das palestras e exposições às suas matrizes curriculares, de forma transdisciplinar”, explica Rosário, que descreve o método como “pedagogia de projetos”. Homens e mulheres procuram vestir algo nos tons lilás ou rosa, para lembrar a data.

“No começo, os professores que não eram da área de ciências humanas tinham mais dificuldades em se adequar. Depois, alguém resolveu trabalhar com os números, com as estatísticas que dizem respeito ao tema”, relembra. Nesta edição do evento serão abordados a saúde da mulher (Biologia), o mercado de trabalho e as mulheres (Geografia) e a memória das mulheres cientistas (Matemática, Química e Física), entre vários outros subtemas. Políticos, advogados, artistas e outros profissionais vão oferecer palestras, disponíveis também para as famílias dos estudantes. “Infelizmente o espaço é pequeno, não dá para abrir para o público em geral”, lamenta Rosário.

Discutir a valorização da mulher em uma escola pública é, na avaliação da professora, ajudar meninos e meninas a transformar suas próprias histórias. “Temos muitos relatos de violência doméstica entre os estudantes. Infelizmente, esse é um indicador social difícil, que faz parte da realidade deles. Mas, através do suporte contínuo e da discussão, acreditamos que podemos ajudar a formar uma geração com menos vítimas e menos agressores”, afirma.

Com cerca de 600 alunos e uma firme parceria com o programa de iniciação à docência da Universidade Federal Rural de Pernambuco, a escola estadual tornou-se referência na região. Seus alunos e professores impressionam pela união, engajamento e bons resultados. No último Enem, 93 dos 135 alunos concluintes passaram no vestibular. “Nosso exemplo comprova que, apesar de todas as dificuldades, é possível trabalhar com qualidade dentro da escola pública”, emociona-se Rosário.

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Confira o vídeo:

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A importância que damos ao envolvimento dos estudantes em várias ações como protagonistas e agentes em atuação pela melhoria da qualidade da educação não é por acaso, pois a escola acredita e aposta nessa participação. E isso foi destacado numa matéria da revista Gestão Escolar, que é a mais importante publicação nacional especializada nas temáticas do desenvolvimento administrativo-pedagógico. A revista é acessível em formato digital e aqui está a reportagem da qual participamos.

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2014-11-17 19 10 00

Clique na imagem e confira a primeira edição da revista F5 – Atualize

Já leu a primeira edição da revista F5? A primeira edição da revista eletrônica F5 já está acessível com matérias produzidas por estudantes sob o estímulo da professora Isabel Araújo.

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A Lei 10.6039 de 2003 determinou que todas as escolas, públicas e particulares, devem obrigatoriamente abordar em suas programações didáticas e nos planejamentos das aulas e abordagem de conteúdos a temática relativa à história e cultura afro-brasileira (e indígena também, conforme a Lei 11.645 de 2008). Mas abordar nossas tradições ancestrais e tem mais efeitos do que ampliação de nosso conhecimento e dimensões sobre as culturas diversas a respeito da matriz africana que é tão importante para a formação do Brasil e composição do povo brasileiro e suas diversas manifestações culturais seja por meio de expressões artísticas, religiosas, linguísticas, folclóricas e até comportamentais. É importante também porque permite a reflexão relativa à nossa realidade social, considerando que convivemos com efeitos de um processo histórico que demonstra a necessidade de analisarmos questões fundamentais como o racismo, problemas associados aos efeitos de anos de desigualdades, a dificuldade de reconhecimento e valorização de elementos étnicos herdados do continente africano e, enfim, a relevância de encararmos nossas origens e composições multiculturais para que possamos nos compreender melhor como um povo rico em diversidade capaz de encarar grandes desafios.

Por tudo isso a escola tem a satisfação e o dever de promover um momento especial para vivência sobre sobre a história e cultura afro-brasileira – embora isso não deva ficar restrito a um evento em particular. A participação dos estudantes é essencial e juntos teremos, paralelamente às aulas regulares, momentos para aprendermos mais sobre o povo brasileiro e suas referências.

AFRICA

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