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Archive for the ‘Textos para leitura e reflexão’ Category

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Jornal do Comercio, 24 de outubro de 2013

Publicada no dia 24 de novembro, a matéria sobre os 10 anos do programa Bolsa Família abordou a experiência desta política pública a partir das perspectivas de estudantes beneficiados. A jornalista Ciara Carvalho esteve na escola buscando informações e foi conversar com estudantes. A visita rendeu uma continuidade para a investigação jornalística e a reportagem seguiu para as residências de Cleyvsson, do 3ºC, e de Tatiane, que concluiu sua fase escolar no ano passado e hoje está no ensino superior. A reportagem que segue abaixo também pode ser conferida aqui, através de seu link original (embora no jornal impresso o texto seja mais completo)

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Foto: Igo Bione/JC Imagem

Programa ajuda a manter jovens na escola

Um exército de 16 milhões de estudantes recebe o Bolsa Família no Brasil hoje. A exigência do programa de manter crianças e jovens na escola ajudou a melhorar indicadores de evasão e reprovação, mas o desafio maior é garantir a aprendizagem

No início do ano, Cleyvisson Ferreira, 17 anos, andou faltando a escola. Um pouco de preguiça misturado com desinteresse e a frequência escolar foi lá para baixo. Caiu para 30%. Resultado: os R$ 200 do Bolsa Família que ele, a mãe e as duas irmãs recebem foram cortados. Dois meses sem receber um centavo. A cobrança em casa foi imediata. “Eu só não apanhei. Mas ouvi de tudo”, admite Cleyvisson, que cursa o 3º ano do ensino médio na Escola de Referência Professor Trajano de Mendonça, em Jardim São Paulo, Zona Oeste do Recife. O puxão de orelha funcionou e o jovem voltou a frequentar a escola religiosamente. O alerta fez mais do que trazer de volta o dinheiro do Bolsa Família. Fez Cleyvisson se empenhar mais e o mais importante: não se afastar dos estudos justamente no ano em que ele conclui o ensino médio. O jovem já está inscrito em dois vestibulares e agora o sonho é chegar à universidade.

A mãe de Cleyvisson, Verônica Ferreira da Silva, 40, não tem dúvida. Não fosse a obrigatoriedade imposta pelo Bolsa Família seria bem mais difícil convencer o filho a continuar na escola. “Ele percebeu o problema que isso gerava. Se deixasse de ir, as coisas iriam faltar para ele mesmo”, conta. Professores, pais e os próprios alunos concordam: a condicionalidade da frequência escolar, criada pelo Bolsa Família para melhorar os indicadores de educação entre os beneficiados do programa, ajuda a criar uma espécie de corrente do bem. Por ser obrigado a permanecer na sala de aula, o aluno acaba se interessando mais e, uma vez que as condições da escola ajudem, tem mais chances de melhorar a aprendizagem. Após dez anos do Bolsa Família, os indicadores educacionais revelam que essa matemática está correta. Mas sozinha não será capaz de fazer a revolução que o País precisa para romper o ciclo de pobreza.

Levantamentos apresentados pelo Ministério do Desenvolvimento Social, gestor do programa, apontam o impacto positivo da transferência de renda na educação. O rendimento dos estudantes beneficiados pelo Bolsa Família nas regiões Norte e Nordeste no ensino médio, por exemplo, é melhor do que a média brasileira das escolas públicas. A taxa de aprovação desses alunos é de 82,3% no Norte e 82.6% no Nordeste. Já a taxa brasileira é de 75,6%. Os números são promissores também quando o recorte é a evasão escolar. A taxa de abandono no ensino médio no País era de 11,3% em 2012, mas entre os alunos beneficiados pelo Bolsa Família, essa taxa ficou em 7,4%.

Com base nos dados do Cadastro Único, que reúne todos os brasileiros que recebem algum tipo de benefício social, pesquisadores do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) fizeram um estudo comparativo e identificaram que as chances de reprovação entre os alunos beneficiados pelo Bolsa Família são menores em relação aos estudantes não atendidos pelo programa. “Cruzamos os dados do cadastro com os do Censo Escolar e os do Sistema Presença, que registra a frequência escolar dos beneficiados do Bolsa Família, e verificamos que esse universo tem 11% menos de chance de repetir de ano. Isso mostra que a condicionalidade está funcionando”, afirma o economista Luís Felipe de Oliveira, um dos autores do estudo. Apesar de apontar avanços, o pesquisador do Ipea avalia que o resultado não é surpreendente e depende de outros fatores para ter uma efetividade maior.

“O Bolsa Família sozinho não vai resolver o problema da educação. Conseguimos atrair esse aluno para a escola, mantê-lo na sala de aula. O passo decisivo agora é melhorar os níveis de aprendizagem. E esse desafio não ser limita apenas aos estudantes atendidos pelo programa, mas à escola como um todo”, reforça Armando Simões, especialista em políticas públicas e gestão ambiental do Ministério de Desenvolvimento Social. Ele cita como condição fundamental melhorar a oferta de serviço das escolas públicas. “De que adianta obrigar o aluno a ficar na escola, se o ensino não é de qualidade?”, questiona Simões.

Uma das principais apostas do governo federal para dar o passo adiante, sugerido pelo pesquisador, é o Programa Mais Educação. Implantado em 2008, o projeto se apoia na lógica do ensino integral, como estratégia para fazer com que o aluno passe mais tempo na escola e, com isso, aprenda mais. A iniciativa é focada, prioritariamente, nas escolas que possuem a maioria dos alunos beneficiados pelo Bolsa Família. Nas regiões Norte e Nordeste, as unidades de ensino com esse perfil já representam, respectivamente, 68% e 85% do total de escolas atendidas pelo programa. O crescimento da rede ligada ao Mais Educação foi vertiginoso. Em cinco anos de programa, o número de escolas vinculadas saltou de 1.380 para quase 50 mil unidades.

Especialistas argumentam que melhorar a oferta do serviço, com professores mais qualificados, laboratórios e equipamentos, pode ser uma estratégia tão eficiente para manter o aluno na escola quanto a obrigatoriedade da frequência. Quem confirma, na prática, esse raciocínio é a estudante Tatiane dos Santos, 20 anos, que concluiu no ano passado o ensino médio. Beneficiária do Bolsa Família, ela conta que não foi a condicionalidade do programa que a fez seguir nos estudos, mas o envolvimento, incentivo e dedicação dos professores. “Minha alegria maior era saber que as pessoas que acreditaram em mim estavam satisfeitas com as minhas conquistas”, comemora. A jovem fez vestibular no ano passado e foi aprovada no curso de turismo do Instituto Federal de Pernambuco (IFPE). E não pensa em parar por aí. “Quero me impor um desafio maior. Talvez fazer um outro vestibular, uma especialização.” Em sua casa, ela será a primeira pessoa da família a ter um curso superior.

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Atualizando informações sobre questões voltadas para Violência contra a mulher, quer seja no Brasil ou no Mundo, compartilhamos uma matéria recente do site ONU.ORG.BR,

Delegacia de polícia em Mombasa, no Quênia, com uma unidade especial para crimes contra crianças e mulheres. Foto: Panos / Sven TorfinnDelegacia de polícia em Mombasa, no Quênia, com uma unidade especial para crimes contra crianças e mulheres. Foto: Panos / Sven TorfinnDe acordo com o novo relatório das Nações Unidas, mais de um terço das mulheres em todo o mundo são afetadas pela violência física ou sexual, muitas nas mãos de um parceiro íntimo. O relatório também oferece diretrizes para ajudar os países a responder essa epidemia global.

O relatório “Estimativas mundiais e regionais da violência contra mulheres: prevalência e efeitos na saúde da violência doméstica e sexual” representa o primeiro estudo sistemático de dados globais sobre a contínua violência contra as mulheres.

Cerca de 35% de todas as mulheres vão enfrentar violência sexual nas mãos de um parceiro íntimo – que é o tipo mais comum de violência, afetando 30% das mulheres em todo o mundo –, ou de um não parceiro, afirma o documento divulgado nesta quinta-feira (20) pela Organização Mundial da Saúde (OMS), em parceria com a Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres e do Conselho Sul-Africano de Pesquisa Médica.

O relatório detalha o impacto da violência sobre a saúde física e mental de mulheres e meninas, que vão de ossos quebrados a complicações relacionadas com gravidez, problemas mentais e funcionamento social prejudicado.

O documento aponta que 38% de todas as mulheres que foram assassinadas no mundo foram mortas por seus parceiros íntimos.

De acordo com Margaret Chan, diretora-geral da OMS, os sistemas de saúde do mundo podem e devem fazer mais pelas mulheres que sofrem de violência física ou sexual.

“Essas descobertas enviam uma mensagem poderosa de que a violência contra as mulheres é um problema de saúde global de proporções epidêmicas”, acrescentou Chan.

http://www.onu.org.br/mais-de-um-terco-das-mulheres-ja-sofreram-com-a-violencia-sexual-em-todo-o-mundo-diz-oms/

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Abaixo está um texto sobre o movimento hippie para quem quiser mais informações. Também estão relacionados links para vídeos com músicas da década de 1960, que representam o contexto de uma intensa produção artística que serviu de trilha sonora para curtição, reflexão, engajamento e, enfim, para marcar presença na história.

As lutas do movimento hippie

Por Rainer Sousa
Clique aqui para ler a publicação em seu local de origem

Na década de 1960, o movimento hippie apareceu disposto a oferecer uma visão de mundo inovadora e distante dos vigentes ditames da sociedade capitalista. Em sua maioria jovens, os hippies abandonavam suas famílias e o conforto de seu lar para se entregarem a uma vida regada por sons, drogas alucinógenas e a busca por outros padrões de comportamento. Ao longo do tempo, ficariam conhecidos como a geração da “paz e amor”.

Quem se toma por essa rasa descrição dos hippies, esquece de que muitos deles não se portavam simplesmente como um bando de hedonistas, drogados e alheios ao que acontecia ao seu redor. Ao longo da década de 1960, junto do movimento negro, os integrantes dessa geração discutiram questões políticas de grande relevância e se organizaram para levar a público uma opinião sobre diversos acontecimentos contemporâneos.

Conseguindo mobilizar uma enorme quantidade de pessoas, os hippies lutaram pela ampliação dos direitos civis e o fim das guerras que aconteciam naquele momento. Em várias situações, a influência das autoridades sob os meios de comunicação acobertavam a discussão que se desenvolvia, para assim reforçar os comportamentos marginais dos hippies. Não raro, a força policial era acionada para que esses “desordeiros” fossem retirados do espaço público.

Entre os grandes confrontos do movimento hippie, podemos destacar a mobilização feita na Convenção Nacional Democrata, ocorrida entre os dias 26 e 29 de agosto de 1968, na cidade de Chicago. Sob a liderança de Abbie Hoffman e Jerry Rubin, a chamada “Festa da Vida” contou com vários episódios em que o cenário político norte-americano era criticado. Entre tantas outras ações de deboche, os hippies lançaram um porco (chamado de “Pigasus”) como candidato a presidente dos EUA.

O clima de tensão entre os policiais e os manifestantes logo esquentou, e a pancadaria tomou conta do lugar. Vale lembrar que, um pouco antes do acontecido, a mortes de Martin Luther King e Bob Kennedy já esquentava o clima de tensão entre os conservadores e liberais. E isso foi só o começo, já que a insatisfação pioraria com a eleição de Richard Nixon (1969 – 1974), um presidente de clara orientação conservadora.

No dia 4 de maio de 1969, outra grande luta aconteceu na Universidade de Kent State, em Ohio. Dessa vez, os hippies e outros estudantes mobilizaram-se para protestar contra a manutenção dos Estados Unidos na Guerra do Vietnã e a recente invasão norte-americana ao Camboja. Nesse protesto, a fúria das autoridades governamentais foi ampliada com a convocação da Guarda Nacional para conter o evento. Ao fim da luta, ocorreu a morte de quatro pessoas e outras nove ficaram feridas.

Mediante esses acontecimentos, podemos ver que a contestação do movimento hippie não se colocava de forma isolada ao mundo presente. Apesar de projetarem outra sociedade e buscarem novas formas de percepção, os hippies se colocavam como uma voz ativa contra algumas ações políticas da época. Sem dúvida, a inventividade deles ainda serve de exemplo para muitas pessoas que se preocupam com as questões de seu tempo e a garantia de seus direitos.

Vídeos:

Documentário do History Channel:

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Por Sílvia Gusmão – JC Online (Clique aqui para a publicação original)

Por fim, o mais importante é lembrar que o vestibular não é um fim nem mede seu valor

Por fim, o mais importante é lembrar que o vestibular não é um fim nem mede seu valor

Com as provas do Enem, realizadas no último fim de semana, foi dada a largada para a maratona do vestibular da maioria das universidades. Período comumente marcado por alta dose de estresse, na medida em que a aprovação no vestibular é considerada, em nossa cultura, atestado de competência e o caminho para obtenção do sucesso. Num cenário de economia globalizada, dinâmica e extremamente competitiva, cujas mudanças produzidas pelos avanços científicos e tecnológicos têm velocidade exponencial, a pressão tende a se intensificar.

Como dosar a tensão para não ser “invadido” por ela? O primeiro passo é ter clareza sobre o que deseja ser no futuro. Ter dúvidas a esse respeito costuma inibir a necessária tranquilidade para se concentrar nos estudos ou ter um bom aproveitamento nas provas. O segundo passo é considerar que a aprovação nas melhores universidades e nos cursos mais concorridos exige disciplina e dedicação à tarefa de estudar. No entanto, existe um componente que pode contribuir para o desempenho positivo ou negativo e cujo controle não se obtém simplesmente com conselhos ou receitas prontas: os fatores emocionais.

Há várias razões que podem estar na origem das fantasias e dos temores – como o receio de decepcionar os pais ou as pessoas próximas, por exemplo. Esses temores podem embaçar o raciocínio, produzir lapsos de memória, dar a sensação de que os conhecimentos se apagaram ou provocar manifestações físicas de mal-estar, como sudorese, dores de cabeça, entre outros sintomas.

No entanto, alguns cuidados podem neutralizar ou, pelo menos, minimizar os temores e ajudar na hora da prova. O primeiro é manter a calma, ler atentamente a prova, começar pelas questões de mais fácil resolução para depois se deter nas de maior complexidade. Segundo, não se apavorar com as questões que não souber responder. Lembre-se: não se pode saber de tudo. Se for tomado pela fantasia que lhe “deu um branco”, não se preocupe! O que se aprende efetivamente não desaparece de uma hora para a outra. Por fim, o mais importante é lembrar que o vestibular não é um fim nem mede seu valor.

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Revista Época – Ed. 704 (novembro/2011)

Estudos recentes sugerem que os jovens não sabem pesquisar na internet. Como as escolas podem ajudá-los a explorar essa fonte de informação

BOM-SENSO Leonardo Castro usa o Google para fazer 80% de seus trabalhos. “Dou preferência aos resultados da primeira página”, diz (Foto: Camila Fontana/ÉPOCA)

BOM-SENSO Leonardo Castro usa o Google para fazer 80% de seus trabalhos. “Dou preferência aos resultados da primeira página”, diz (Foto: Camila Fontana/ÉPOCA)

No início dos anos 1990, uma coleção de enciclopédias tinha o mesmo valor educacional que um microcomputador tem hoje em dia – eram ótimas ferramentas de pesquisa para os estudantes. Para quem tem menos de 20 anos, pode parecer incompreensível. Como uma coleção de livros de capa dura, grandes, pesados e difíceis de manusear, pode ser tão eficaz quanto os programas de busca da internet, que nos colocam a dois cliques de qualquer resposta? A geração que nasceu depois do surgimento da internet tem a sua disposição o maior volume de informação da história. Mas novos estudos sugerem que a intimidade dos jovens com o mundo digital não garante que eles sejam capazes de encontrar o que precisam na internet.

Uma pesquisa da Universidade de Charleston, nos Estados Unidos, mostra que a geração digital não sabe pesquisar. Acostumados com a comodidade oferecida por mecanismos de busca como o Google, eles confiam demais na informação fácil oferecida por esses serviços. O estudo mostrou que os estudantes usam sempre os primeiros resultados que aparecem após uma busca, sem se importar com sua procedência. No estudo, os pesquisadores pediram a um grupo de universitários que respondesse a algumas perguntas com a ajuda da internet. Mas fizeram uma pegadinha: fontes de informação que não apareceriam no topo da lista de respostas do Google foram apresentadas propositalmente como primeira opção. Os estudantes nem notaram a troca: usaram as primeiras respostas acriticamente. Outro estudo, realizado pela Universidade Northwestern, nos Estados Unidos, pedia que 102 adolescentes que estavam se formando no ensino médio buscassem termos diversos em sites de pesquisa on-line. Todos trouxeram os resultados, mas nenhum soube informar quais eram os sites usados para obter as respostas: se veio da internet, já estava bom.

A conclusão dos cientistas é que os estudantes de hoje confiam demais nas máquinas. Em princípio, esse comportamento faz sentido, porque os sistemas de buscas oferecem conteúdos cada vez mais relevantes. Mas gera uma efeito colateral preocupante: a perda da capacidade crítica. “Precisamos ensinar os alunos a avaliar a credibilidade das fontes on-line antes de confiar nelas cegamente”, diz Bing Pan, pesquisador da Universidade de Charleston. “As escolas deveriam ajudar os estudantes a julgar melhor as informações.”

O cenário descrito pela pesquisa não é exclusivo dos estudantes americanos. O paulistano Leonardo Castro, de 15 anos, estudante do 1º ano do ensino médio da escola Arquidiocesano, em São Paulo, diz que usa a internet para fazer 80% de seus trabalhos escolares. A fórmula se repete a cada trabalho: ele acessa o Google, insere o tema da pesquisa, consulta dois ou três sites que tratam da mesma coisa e redige seu texto. “Dou preferência aos resultados que estão na primeira página”, afirma. Ele tem algumas fontes que considera mais confiáveis, como o site Brasil Escola. Conta que os professores incentivam o uso da internet nas pesquisas e alguns sugerem sites específicos que os alunos deveriam visitar. Mas Leonardo só se preocupa com as fontes de informação na hora de relacionar as referências usadas na pesquisa – algo diferente de olhar criticamente a informação antes de usá-la no trabalho.

A vestibulanda Clarice Araújo, de 18 anos, estuda no Imaculada Conceição, colégio tradicional de Belo Horizonte. Desde o 5º ano do ensino fundamental, ela usa a internet como principal ferramenta para ajudar nas lições. Os buscadores também se tornaram aliados em sua preparação para o vestibular e para a última prova do Enem. Clarice acertou 90% das questões, uma boa marca para quem pretende cursar medicina na Universidade Federal de Minas Gerais. Segundo ela, a maioria dos professores do colégio incentiva o uso da internet e sugere os melhores sites para pesquisar. “Já tomei um puxão de orelha por ter me baseado em apenas um site”, diz Clarice. “Sei que deveria verificar a origem das informações, mas, na maioria das vezes, uso só o bom-senso.” Os professores contam que a maioria dos estudantes não faz nem isso. Eles simplesmente copiam (com algumas palavras trocadas) informações que aparecem nas primeiras respostas do Google. É uma maneira muito limitada de usar a rica fonte de informações que é a internet. O caminho para evitar isso é o mesmo que se requer em qualquer outra disciplina: orientação e acompanhamento.

“O professor pode indicar alguns sites mais confiáveis para a pesquisa na hora de pedir um trabalho”, diz Adilson Garcia, diretor da escola Vértice, de São Paulo. Só isso, porém, pode não ser suficiente para formar alunos capazes de pesquisar de maneira crítica, criativa e independente. Primeiro, é preciso lhes mostrar como funcionam os mecanismos de busca. Eles devem entender que critérios esses serviços usam para hierarquizar suas respostas. Sabendo como os buscadores operam, podem restringir as buscas e obter resultados mais precisos. Em segundo lugar, os estudantes têm de aprender a verificar a procedência da informação, analisando em que tipo de site ela está publicada e se é confiável. O Google não escolhe suas respostas com base na veracidade ou qualidade do conteúdo. Por fim, os estudantes devem ser incentivados a confrontar a mesma informação em diferentes sites, para perceber como a orientação de cada um pode resultar em abordagens diferentes. “É preciso transformar os alunos em críticos da informação”, afirma a professora Maria Elisabeth Almeida, coordenadora do programa de pós-graduação em educação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. “Esse não é um desafio apenas das escolas do Brasil. É um problema mundial.”

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Nosso próximo texto trata do direito à saúde e ao debate sobre a defesa dos interesses coletivos em relação aos interesses privados quando o assunto é a garantia da qualidade de vida e do tratamento médico assegurado pelo Estado. Tema complexo? Certamente é mesmo, mas estamos neste projeto de temas polêmicos exatamente para lidar com esse tipo de discussão mesmo, não é?

O texto foi extraído da Revista Época desta semana (edição 722)

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